No Conexão 92 desta terça-feira (25), o entrevistado foi o pesquisador e historiador Celso Deucher, que falou sobre a solenidade realizada pela manhã no Museu Casa de Brusque, no bairro São Luiz, em homenagem aos pioneiros da imigração polonesa no município.
A cerimônia marcou os 157 anos da imigração polonesa em Brusque e contou com uma homenagem especial à Cruz do Cemitério dos Polacos. O momento também resgatou a história das primeiras famílias que chegaram à região em 1869 e enfrentaram diversas dificuldades para se estabelecer no território.
Celso Deucher explicou que a data de 25 de agosto está relacionada ao primeiro registro histórico da presença polonesa em Brusque. Na ocasião, o padre Gattoni registrou o batizado de Estevam Sienowski, uma criança que teria nascido durante a travessia do Oceano Atlântico e sido batizada após a chegada à colônia.
O pesquisador também relembrou a história do antigo Cemitério dos Polacos, localizado atualmente em território de Botuverá. Segundo Deucher, os primeiros imigrantes foram encaminhados para uma região de difícil acesso e tiveram problemas com as condições do terreno, além de enfrentarem uma grande enchente pouco depois da chegada.
Com o passar dos anos, o antigo cemitério acabou sendo tomado pela mata e abandonado. Posteriormente, cruzes e sepulturas foram encontradas no local, despertando o interesse de pesquisadores e dando início a novas investigações sobre a história dos primeiros poloneses que viveram na região.
Celso também relatou diferentes versões sobre as mortes ocorridas entre os primeiros imigrantes. Uma delas aponta para a possibilidade de envenenamento de um poço utilizado pelas famílias, em meio a disputas por terras. O pesquisador ressaltou, porém, que essa versão permanece como um relato histórico sem comprovação definitiva.
Outro momento importante da entrevista foi a homenagem realizada durante a solenidade, quando foram lidos em voz alta os nomes dos primeiros imigrantes e chefes de família que chegaram à região. A iniciativa foi inspirada em uma tradição existente em aldeias da Polônia e teve como objetivo manter viva a memória dos pioneiros.
Deucher destacou que a imigração polonesa organizada em Brusque teve grande importância para a expansão da presença polonesa no Brasil, especialmente em Santa Catarina e no Paraná.
Para Celso Deucher, valorizar a história das diferentes etnias que ajudaram a construir Brusque também pode representar uma oportunidade de desenvolvimento cultural e econômico para o município, inclusive por meio da gastronomia, do turismo e da preservação do patrimônio histórico.




