A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta sexta-feira (16) o inquérito que apurou a denúncia de injúria racial feita pelo goleiro Caíque, do Criciúma, contra um torcedor do Brusque. O caso aconteceu durante partida no Estádio Augusto Bauer, no dia 8 de fevereiro.
Contexto dos Fatos
Ao término da partida entre Brusque e Criciúma, o goleiro Caíque dirigiu-se à lateral do campo para recolher seus equipamentos. Segundo relato, nesse momento foi chamado de "macaco" por um torcedor adversário, que também teria realizado gestos relacionados ao insulto. O atleta confrontou o torcedor, que teria reiterado o xingamento. A situação gerou comoção e levou à intervenção imediata da arbitragem e da Polícia Militar, que conduziu os envolvidos à Delegacia de Polícia.
Na ocasião, o delegado de plantão decidiu pela liberação imediata do suspeito, optando por apurar melhor os fatos por meio de inquérito policial, uma vez que os elementos disponíveis no momento eram controvertidos e insuficientes para uma prisão em flagrante.
Providências Investigativas
Durante a investigação, foram ouvidos a vítima, o suspeito e quatro testemunhas que estavam próximas ao local do suposto incidente. Além disso, a Polícia Civil requisitou imagens e áudios ao Brusque Futebol Clube e submeteu dois vídeos à perícia técnica, com o objetivo de identificar possíveis falas de cunho racista.
Conclusões da Polícia Civil
A vítima reafirmou ter sido alvo de xingamentos de cunho racial logo após o encerramento da partida, o que a motivou a acionar a arbitragem e a Polícia Militar. O episódio foi também registrado na súmula da partida.
Contudo, nenhuma das testemunhas ouvidas — incluindo um segurança que se posicionava entre o jogador e o torcedor — confirmou ter ouvido o termo “macaco” ou qualquer outro insulto de natureza racista. Todos relataram apenas xingamentos típicos de ambiente esportivo, como “vagabundo” e “sem vergonha”.
O suspeito, admitiu ter proferido ofensas genéricas, que qualificou como comuns em partidas de futebol, mas negou veementemente ter feito qualquer comentário de cunho racial.
O laudo pericial dos registros audiovisuais concluiu que, apesar de esforços técnicos para melhorar a qualidade sonora, não foi possível identificar a presença do termo “macaco” ou qualquer outro xingamento racista nos áudios analisados.
Encerramento das Investigações
Diante da ausência de indícios suficientes de autoria e materialidade, a Polícia Civil concluiu o inquérito sem o indiciamento formal de Daniel Alexandre pelo crime de injúria racial. Os autos serão agora remetidos ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, para decisão, inclusive sobre possível arquivamento definitivo.




