O influenciador digital Matheus Di Bernardi Martins, de 24 anos, conhecido nas redes sociais como "Spoteff", foi preso na manhã desta terça-feira (30) em Florianópolis, suspeito de aliciar e extorquir crianças e adolescentes pela internet. A prisão foi conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, com apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, e faz parte da Operação "Game Over", coordenada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Com foco no público infantojuvenil, o criador de conteúdo aproveitava sua popularidade em jogos como Roblox e Minecraft para se aproximar das vítimas. Segundo as investigações, o esquema seguia uma lógica de engajamento por etapas: primeiro, ele oferecia moedas virtuais e estratégias para aumentar o número de seguidores dos menores, exigindo em troca fotos e vídeos de teor sexual apresentados como "desafios".
Depois de obter o material, o influenciador mudava de tática. Sob o pretexto de encaminhar as imagens aos pais e familiares dos menores, ele passava a chantageá-los para forçar o envio de novos conteúdos íntimos, uma dinâmica que, segundo autoridades, aprisionava as crianças em um ciclo de medo e silêncio.
O caso começou a ser apurado depois que os pais de uma criança de 10 anos, em São Paulo, denunciaram a situação. A partir daí, a investigação identificou o perfil do suspeito e sua atuação também a partir de Santa Catarina.
Durante o cumprimento do mandado, na residência do investigado, no bairro Capoeiras, em Florianópolis, a polícia apreendeu um computador e um celular. Nos aparelhos, foram encontrados arquivos de pornografia infantojuvenil, o que resultou também em prisão em flagrante por posse desse tipo de material, enquadrada no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo o delegado, a investigação inicial identificou formalmente duas vítimas do influenciador. No entanto, a análise do material apreendido não descarta a possibilidade de surgirem novas denúncias sobre outros menores. A polícia avalia que o caso pode ser apenas a parte visível de um problema maior, já que o alto volume de interações nos perfis do investigado sugere que o número real de vítimas seja superior ao já catalogado.
O suspeito utilizava plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e Discord, onde acumula mais de 200 mil seguidores ao todo, produzindo e divulgando conteúdos voltados a jogos virtuais sob o codinome "Spoteff".
Em nota, a defesa do investigado afirmou que os fatos serão "oportunamente analisados e esclarecidos no âmbito do processo judicial, foro legítimo para a produção de provas e para o exercício do contraditório e da ampla defesa". A defesa declarou ainda que o cliente "permanece à disposição das autoridades" e ressaltou que o processo tramita sob segredo de Justiça.




