Uma casa de alto padrão e bem abastecida, com um casal e uma criança de 3 anos no sofá da sala, foi a cena encontrada por uma guarnição do Tático do 31º Batalhão da Polícia Militar de Santa Catarina ao entrar em uma residência de Porto Belo para cumprir mandado de prisão contra um foragido vindo do Rio Grande do Sul.
O alvo da operação era Jalisson Antônio da Silva Leite, condenado a 10 anos, 9 meses e 12 dias de reclusão em regime fechado. Segundo a PM, ele integra a facção conhecida como "Bala na Cara" e teria fugido do Rio Grande do Sul ao lado da esposa, Paloma Becker de Oliveira, assim que soube que era procurado pela Brigada Militar gaúcha. O casal estaria morando em Santa Catarina havia cerca de seis meses.
A localização foi fruto de um trabalho de inteligência que reuniu informações de três forças de segurança: a agência do 31º Batalhão da PMSC, a agência de inteligência do BOPE catarinense e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul. A operação só foi deflagrada depois da confirmação da presença do foragido no endereço.
Ao entrar no imóvel, os policiais encontraram Jalisson, Paloma e a filha do casal na parte inferior da casa. Jalisson se rendeu de imediato ao receber ordem para deitar no chão, mas Paloma reagiu: bateu um celular repetidamente contra a parede até quebrá-lo. Segundo a PM, o aparelho, que ela disse pertencer ao marido, teria sido destruído para impedir o acesso a mensagens, o que reforça a suspeita de que o casal mantinha vínculo com a organização criminosa por meio do telefone.
Em seguida, Paloma partiu para cima dos agentes na tentativa de evitar a prisão do marido. Foi contida rapidamente e sofreu lesões leves em um dedo da mão direita.
Com a situação controlada, os policiais perguntaram se havia mais alguém na casa. Paloma informou que o pai dela, André Luís Vieira de Oliveira, estava no andar de cima. Ele foi abordado sem resistência.
Questionado sobre a presença de material ilícito, o casal confirmou haver droga e uma pistola carregada guardada em uma caixa, com munições extras ao lado. A arma constava com registro de furto em Caxias do Sul (RS), o que levou à inclusão do crime de receptação contra os dois, Paloma chegou a assumir mais de uma vez a propriedade do armamento, dizendo tê-lo adquirido.
Foram apreendidos no local uma pistola Taurus 938, calibre .380, oxidada, com 14 munições no carregador; uma caixa com outras 21 munições; e 69 gramas de substância semelhante à maconha.
Por causa da presença da criança de 3 anos, o Conselho Tutelar foi acionado, e duas conselheiras compareceram ao local para acompanhar o caso.
Chamou atenção da guarnição o padrão do imóvel. Questionado se trabalhava, já que morava em uma casa de alto padrão e bem abastecida, o casal respondeu que não e disse receber dinheiro do Rio Grande do Sul para se manter. Ao serem indagados se os valores vinham da facção, ambos preferiram ficar em silêncio.
Após serem cientificados de seus direitos, Jalisson e Paloma receberam voz de prisão e foram conduzidos à central de plantão de Balneário Camboriú para a lavratura do flagrante. Os dois respondem por cumprimento de mandado de prisão, posse ilegal de arma de fogo de uso permitido, receptação, integração a organização criminosa, posse de drogas para consumo pessoal e resistência.




