(VÍDEO) “Como você vai escolher ou teu trabalho ou tua irmã?”

A família da professora Cristine Rohregger Torres (57) está passando por um grande dilema. Ela foi diagnosticada com câncer e vem lutando desde o começo deste ano pela Vida. Situação que fez com que sua irmã, Cibelle Rohregger Torres (56), precisasse pararas atividades de trabalho para poder cuidar dela devido à condição em que se encontra. Agora, além da doença, Cibelle corre o risco de ficar desempregada e aumentar ainda mais a dificuldade que enfrenta a família por conta da doença. É que ela também é professora da rede municipal e vem buscando obter com a Secretaria Municipal da Educação amparo com base em uma lei municipal para cuidar da irmã sem ter o vínculo como servidora interrompido, o que já foi negador duas vezes.
Cibelle conta que é a única pessoa em condições de cuidar da irmã, que mal consegue se movimentar sozinha dentro da própria casa devido à estar debilitada por conta do avanço da doença. O câncer é do tipo invasivo e começou pelo útero, mas se espalhou por outras regiões do corpo.
“No final de janeiro, começou a sangrar e sangrar, e não parava mais. Ela foi no hospital de Azambuja e o médico mandou de volta pra casa”, relata Cibelle, afirmando que a equipe da UBS encaminhou para novos exames, que se mostraram muito alterados.
Foi a primeira internação de Cristine, que durou cerca de seis dias. Que retornou para casa e voltou a se sentir mal dias depois. Caso que tirou Cibelle às pressas do trabalho, devido à situação levada em que se encontrava a irmã. Cristine acabou sendo hospitalizada às pressas.
“Ela foi internada pela segunda vez. O médico disse que não sabia como ela não morreu, porque perdeu quase metade do sangue”, relata, afirmando que a debilidade da saúde fez com que a irmã fosse contaminada por outros problemas de saúde.
Uma consulta oncológica apontou a existência do câncer. Daí em diante começou sofrimento. Todos os dias, Cibelle passou a levar a irmã a Blumenau para fazer o tratamento com radioterapia e quimioterapia. As duas saem de manhã e chegam de volta em casa no final da tarde.
Os deslocamentos a Blumenau e a necessidade de cuidados em casa fizeram com que Cibelle buscasse a Secretaria Municipal de Educação para pedir amparo e poder cuidar da irmã sem perder o trabalho e ter a remuneração suspensa. Algo que consta no Estatuto do Servidor, criado pela Lei 147/20009 e alterado em 2019. O pedido, no entanto, afirma, foi negado por duas vezes e, agora, ela corre o risco de sofrer processo administrativo e ser demitida.
“A gente fica sentido. Porque não é uma escolha. Como você vai escolher ou o teu trabalho ou tua irmã? Nossos pais são falecidos e mesmos e fossem vivos seriam muito idosos. A única pessoa adulta que pode acompanhar minha irmã sou eu”, desabafa ela em lágrimas.
Cibelle afirma que a lei define que o acompanhamento previsto a legislação é somente para pais com os filhos ou filhos com ao pais. Ou seja, não contempla o caso dela, que tem a irmã precisando ade ajuda.
“E aí, como é que faz? A falta de sensibilidade, de se ter uma exceção. Ela é minha irmã. Como se faz?”, questiona ela novamente em prantos.



