Reunião tensa marca apresentação de projeto para duplicar Rodovia Ivo Silveira

A duplicação da Rodovia Ivo Silveira, que liga Brusque e Gaspar, não é unanimidade entre os dois municípios. Pelo menos não em toda a sua extensão. É o que ficou claro durante a apresentação do projeto da obra na Associação Empresarial de Gaspar (ACIG) na noite desta quarta-feira (9) pelo secretário de estado de Infraestrutura, Thiago Vieira.
Na ocasião, o secretário ouviu de um grupo de empresários da região do bairro Bateias, no município de Gaspar, a contrariedade pela execução da obra de duplicação. A divergência se dá pela instalação de vias de acesso laterais, as marginais. Enquanto o secretário enfatizou a necessidade das mesmas, por uma questão de segurança, os empresários afirmavam que os espaços vão matar o comércio estabelecido naquele trecho. O temor é de que construções existentes na região, há mais de três décadas, precisem ser removidas.
O trecho a que se referem os empresários está situado entre o acesso ao Fazenda Park Hotel e a igreja, já no bairro Barracão. O grupo chegou a propor a não duplicação da rodovia nesse perímetro.
O ex-prefeito de Gaspar, Celso Zuchi, que mora na região e tem comércio ali, chegou a enfatizar que a rodovia não precisa ser duplicada e, sim, passar por uma reforma completa em sua estrutura.
O atual prefeito, Kleber Wan-Dall, disse que chegou a ir a Florianópolis por diversas vezes e em uma delas levou o pedido dos empresários à Secretaria de Infraestrutura para alteração.
A apresentação do projeto, feita por um engenheiro da secretaria, acabou demorando mais que o previsto por conta dos questionamentos levantados pelos empresários. Apesar dos apelos, Vieira não se disse convencido com os argumentos para mudar a proposta original.
Prefeito de Brusque bate pé em favor da duplicação
Na mesma sala, também assistindo a apresentação, o prefeito de Brusque, Ari Vequi, fez questão de enfatizar que a opinião de não duplicação é somente de Gaspar e que Brusque é totalmente favorável.
De acordo com o secretário de Infraestrutura, a apresentação do projeto à cidade de Gaspar é uma das últimas fases antes do lançamento do edital para contratação da empresa que vai executar o serviço. Algo que, se ocorrer tudo dentro dos prazos, acontecerá até meados de junho.
Brusque terá de municipalizar trecho
O projeto de duplicação da Rodovia Ivo Silveira contemplará trecho de 17 quilômetros. A área se estende da região do bairro Santa Terezinha, em Gaspar, até a rotatória do bairro Steffen, já na cidade de Brusque.
O que chama a atenção e foi bastante enfatizado na apresentação é a quantidade de retornos e travessias para pedestres instalados ao longo do perímetro a ser duplicado. São 11 pontos de retorno para veículos e nove passarelas para pedestres.
O secretário fez questão de enfatizar que essas situações foram implementadas com base nas reclamações observadas pelo governo do estado na duplicação de outra rodovia, Antônio Heil.
Mas não é só no perímetro de Gaspar que haverá mudança nas margens. O trecho de Brusque com maior adaptações prevê o fechamento na entrada para a Rua Edgar Vonn Buettner e a instalação de marginais.
O mesmo também acontece, só que este em formato de mão inglesa, no acesso da rodovia para a Rua Abraão de Souza e Silva, popular Estrada da Fazenda, no bairro Volta Grande.
A duplicação termina exatamente no ponto onde está hoje, na rotatória no bairro Steffen. Dali em diante, um trecho de, aproximadamente, 500 metros, afunila a via pela Rua Blumenau.
O prefeito de Brusque disse, na ocasião, que isso obrigará a municipalização daquele perímetro. Já o secretário frisou que essa municipalização terá de ser em trecho ainda maior, que se estende da Estrada da Fazenda até o Steffen. Isso se deve às obras, que vão ser executadas pela Prefeitura de Brusque, com a construção de novos acessos para a Beira Rio, naquela área da cidade.
Reunião tensa
Diante da tensão que se formou na reunião para apresentar o projeto, o presidente da Associação Empresarial de Gaspar, Edemar Ênio Wieser, teve de intervir para que a apresentação seguisse. Ele pediu que os empresários anotassem todas as dúvidas e sugestões para que o documento fosse elaborado e entregue ao secretário posteriormente.
Um dos empresários pediu que Vieira arrumasse espaço na agenda e fosse pessoalmente na região do bairro para conferir a situação reclamada por eles. O secretário disse que é possível, mas que dificilmente haverá qualquer tipo de alteração no projeto.



