Na terça-feira (18) durante o período da manhã o Núcleo Instituições Educacionais da ACIBr realizou o Café de Ideias tendo como tema principal “Depressão na Infância e Adolescência”. O encontro aconteceu no Colégio Cônsul onde o palestrante foi o médico psiquiatra Dr. Antônio Carlos de Mattos Roxo. O psiquiatra destacou sobre o alto índice de suicídios entre jovens, que é a segunda maior causa de morte no Brasil, entre a faixa etária de 15 a 29 anos, ficando atrás somente dos acidentes de trânsito. “
De 1980 a 2014, o índice de suicídios nesta faixa etária, cresceu 27,2%. O Brasil é o oitavo país no mundo em índice de suicídio na população geral, com 12 mil casos por ano, e estima-se que 96,8% dos casos está ligado a alguma doença psiquiátrica, como depressão. No Brasil a depressão atinge 5,8% da população geral e 5% da população que possui de 10 a 19 anos, o que representa 1,75 milhão. Entre os gatilhos para a depressão em adolescentes, está a necessidade de afirmação e a dificuldade de conviver com aspectos ainda infantis e limitantes, e a tristeza que isso traz; fatores ambientais como violência doméstica, desestruturação familiar, excesso de expectativas ou cobranças, bullying, aceitação e desenvolvimento precoce da sexualidade; uso de álcool e drogas”, descreveu o médico.
O médico comentou também sobre desafios como Baleia Azul e Boneca Moma, que acabam influenciando o comportamento dos jovens. “Cada vez mais, esse público tem acesso à internet, whats app, e informações que nem sempre trazem boas influências, e preciso que pais e educadores estejam atentos. Por isso, meu objetivo com a palestra hoje, é fomentar uma relação mais afetiva entre educadores e estudantes. O professor muitas vezes, é visto como uma figura materna ou paterna em sala de aula, e em inúmeras situações, precisa ouvir mais com o coração, do que com os ouvidos, e olhar mais com o coração, do que com os olhos. Algumas crianças têm dificuldade de relacionamento com os colegas, são mal vistas, taxadas como problemáticas, mas quando o educador consegue ter uma visão mais afetiva, é maior as chances dele perceber que há algo errado e sugerir uma conversa com alguém, buscar ajuda. A depressão existe desde que a humanidade existe, é uma doença do cérebro, mas pode e deve ser minimizada nos seus efeitos. Tem tratamento e pode ser combatida com psicoterapia, antidepressivos e estabilizadores de humor, por exemplo”, alertou o palestrante.


