O Ministério Público de Santa Catarina como forma de abordar mais sobre o Setembro Amarelo, que tem como objetivo tratar sobre a prevenção ao suicídio, buscou direcionar o este foco para abordar o assunto entre os adolescentes. O motivo o alto índice registrado em Santa Catarina, que hoje de acordo com dados está entre os Estados com maior índice de suicídio de jovens. De acordo com MPSC o objetivo é dialogar com pais, filhos e educadores sobre o combate e a prevenção ao suicídio, mostrar que é possível identificar fatores de risco e de prevenir o suicídio. Com profissionais especialistas no tema, é também uma forma de orientar jovens e adolescentes a perceberem eles mesmos quando estão em situação de risco.
A psicóloga Renata Neres destaca que é na primeira infância que se formam algumas características dos futuros adultos. Por isso, o vínculo afetivo e o diálogo dos pais são fundamentais na construção e na prevenção do sofrimento psíquico. "Alguns pais se vêem impelidos a satisfazer seus filhos sem frustra-los, essa superproteção tem consequências sérias como por exemplo, a não aquisição de recursos emocionais para viver situações reais da vida", explica.
Outra profissional, a pediatra e psicóloga Catarina Costa Marques enfatiza que cobranças em casa e na escola, bullying e tantos outras pressões sociais podem causar danos em jovens que já se encontram frágeis emocionalmente. Além disso, a dependência da internet já é considerada uma doença psicológica. A combinação desses fatores traz prejuízo emocional e isolamento social, por isso é preciso estar atento ao comportamento. "Infelizmente os pais de adolescentes procuram ajuda quando percebem queda nas notas escolares, mas é preciso olhar antes e entender os alertas que são dados pelo comportamento diário", conclui Catarina.
A psiquiatra Sandra Paula Peu da Silva afirma que a comunicação pode ajudar na prevenção do suicídio e na orientação para buscar ajuda especializada. "A comunicação chega até nós em uma velocidade nunca experimentada e é preciso ter cuidado na forma de comunicar qualquer conteúdo. Comunicar de forma errada ou superficial pode causar sofrimento e adoecimentos", explica a psiquiatra. Ela reforça que, em tempos marcar presença nas redes sociais, os jovens têm a necessidade de criar um "avatar". "As pessoas colocam uma máscara para mostrar o tempo todo que são felizes, bem-sucedidas, bonitas etc. Às vezes temos falhas, tristezas, e isso também pode ser compartilhado. Não falar sobre nossas angústias também pode causar doenças", diz. Segundo ela, os cidadãos precisam usar a comunicação para aproximar pessoas, para ajudar mais, de uma forma até terapêutica. "Por meio da comunicação podemos diminuir preconceitos, ajudar pessoas e combater o suicídio", afirma.



