O Conexão 92 desta quinta-feira (11) recebeu Mariléia Cipriani Tomasoni, ex-secretária de Turismo de Nova Trento e idealizadora do Bosque Della Radici, projeto que será inaugurado no próximo dia 21 de setembro no bairro Vígolo, anexo à Estufa Cipriani, e que promete se tornar a maior homenagem aos imigrantes italianos no Brasil.
Um bosque para contar histórias
O espaço terá inicialmente 200 árvores, cada uma representando um sobrenome de famílias italianas que chegaram a Nova Trento desde 1875, mas também contemplando descendentes vindos de outros estados que escolheram o município como lar ao longo dos últimos 150 anos. O processo de seleção envolveu pesquisa em registros históricos e um trabalho de campo junto às famílias.
O bosque será formado por cafeeiros arábica, cultivados pela própria equipe do projeto. Antes da grande etapa de setembro, duas ações já marcaram a implantação: em fevereiro, no Dia do Imigrante, foram plantadas três oliveiras em homenagem às irmãs fundadoras da congregação que antecedeu Santa Paulina; em junho, durante visita de uma comitiva italiana, 20 famílias plantaram árvores representando os primeiros grupos que chegaram ao Brasil.
Evento cultural e comunitário
A programação do dia 21 inicia às 6h da manhã, com uma alvorada festiva no cemitério do Vígolo, local onde repousam muitos imigrantes. De lá, os participantes caminharão cerca de 1,5 km até a Estufa Cipriani, acompanhados pela banda Folk Sanvidile. Durante o ato de plantio, cada família receberá uma medalha comemorativa como lembrança.
O dia contará ainda com apresentações culturais, incluindo o grupo Belavote, de Salete, e será aberto ao público. “Queremos que seja um momento de encontro, memória e celebração”, destacou Mariléia.
Museu a céu aberto
O projeto prevê que cada árvore tenha, futuramente, um QR Code com informações sobre a origem da família, cidade de procedência e significados do sobrenome. A proposta é transformar o espaço em um verdadeiro museu vivo, unindo história, cultura e tradição.
Além da função simbólica, o plantio do café terá caráter comunitário: a ideia é que, no futuro, a colheita seja realizada de forma coletiva. “O café sempre une, é o que a gente oferece quando recebe alguém em casa”, resumiu a idealizadora.
Continuidade
Segundo Mariléia, o bosque é apenas o início de um projeto de longo prazo, que deve durar mais de cinco anos e se consolidar como ponto de visitação permanente para moradores e turistas. “Diferente de outros atos comemorativos, o Bosque Della Radici ficará como legado para as próximas gerações, um marco dos 150 anos da imigração italiana em Nova Trento”, afirmou.




