Nesta quarta (12), o Cavaliere de la Repubblica Italiana, Márcio Fumagalli, foi o entrevistado da vez no Rádio Revista Cidade, onde comentou sobre a nova disciplina obrigatória nas escolas italianas e fez um balanço dos 150 anos da imigração italiana em Santa Catarina. Ele também comentou a recente apresentação beneficente de Luciano Bruno em Brusque, uma iniciativa da Havan com bilheteria revertida ao Hospital Azambuja, e reforçou a importância de preservar acervos históricos locais.
Segundo Fumagalli, o Ministério da Instrução da Itália tornou obrigatório, no ensino fundamental e médio, o estudo do processo emigratório italiano para as Américas, com foco em países como Brasil, Estados Unidos e Argentina.
“Crianças e adolescentes vão entender melhor de onde vem essa paixão pela Itália e como se deu o caminho dos imigrantes. É um passo que sensibiliza a comunidade italiana e reforça nossos laços culturais”, disse.
Ele observou que o anúncio ocorre no mesmo momento em que se debate a Lei 74-2025, citada por ele como restritiva à cidadania italiana, o que considera “um contrassenso”:
“Enquanto se restringe a cidadania, cria-se uma disciplina para compreender a emigração. Ainda assim, é uma vitória para a memória e para os vínculos culturais”, avaliou.
Luciano Bruno em Brusque e apoio social
Fumagalli enalteceu o show de Luciano Bruno em prol do Hospital Azambuja e o papel social e cultural do Grupo Havan:
“Foi um presente para a cidade, graças à sensibilidade de um empresário com compromisso social e cultural.”
Língua como porta de entrada da cultura
Respondendo a ouvinte sobre priorização de idioma em detrimento da cultura, Fumagalli defendeu a estratégia:
“O idioma é a base de qualquer cultura. A partir da língua, o aluno chega à moda, gastronomia, tecnologia e à própria história italiana.”
O convidado visitou Concórdia e relembrou tradições como o filó e o talian, destacando diferenças históricas entre as matrizes trentina (Alto Vale/Itajaí) e vêneta (Sul e Oeste) na formação econômica do Estado.
“57,8% das exportações catarinenses vêm da agroindústria, um setor que cresceu sobre a base do esforço de muitas famílias de origem italiana e de milhares de pequenos produtores.”
Conexões e projetos
Entre os movimentos em andamento, Fumagalli citou:
Acordo de cidades-irmãs (gemellaggio) entre Ascurra e Mel (Itália);
Reedição pela Unifebe da obra de Renzo Groselli, referência sobre a imigração no Vale;
Apresentações folclóricas de grupo do Trentino na região;
Exposição da Casa de Brusque no Palácio Cruz e Sousa (Florianópolis), reforçando o protagonismo histórico do município;
Emenda anunciada pelo deputado Vicente Caropreso (citada no programa como “Vicente Caro Preso”) de R$ 100 mil para digitalização de acervos da Casa de Brusque.
Urgência em digitalizar a memória
“Se não digitalizarmos, nossa história se esvai. Existem documentos em papel sobre a distribuição de lotes na Brusque Colônia e o assentamento de colonos. Preservar isso é vital”, alertou, lembrando perdas históricas em incêndio antigo na Fundação Cultural de Blumenau.
Mudanças no Consulado da Itália
Fumagalli lamentou a saída da cônsul Eugênia Tiziana Berti de Curitiba, elogiou sua atuação em Santa Catarina e informou a previsão de um posto avançado (sportello consolare) em Florianópolis, subordinado ao consulado de Curitiba, para passaportes e cidadania. Segundo ele, Curitiba atende cerca de 160 mil cidadãos italianos, e São Paulo, 350 mil. Em números citados ao vivo, Brusque teria 1.480 cidadãos italianos; Balneário Camboriú, 2.800.




