Na tarde desta quarta-feira (15), o programa Conexão 92 recebeu o vereador Paulinho Sestrem, que falou sobre o início dos trabalhos da chamada CPI do Lixo, instaurada na Câmara para investigar possíveis irregularidades na coleta e destinação de resíduos.
A comissão foi criada a partir de um requerimento apresentado pelo vereador Rogério dos Santos e tem como objetivo apurar situações que vêm gerando insatisfação na população, como cobranças consideradas elevadas, dúvidas sobre critérios de taxas e possíveis impactos ambientais.
Segundo Sestrem, a CPI já realizou a primeira reunião para definição dos membros e organização dos trabalhos. Ele destacou que a investigação será tanto documental quanto presencial.
“A gente já iniciou solicitando uma visita ao aterro sanitário, para verificar de perto como funciona o serviço. É importante entender tudo com responsabilidade, sem fazer acusações antes de analisar os fatos”, afirmou.
Entre os principais pontos que serão investigados estão a cobrança de taxas acima da média regional, a possibilidade de danos ambientais e a cobrança de mais de uma tarifa para um mesmo imóvel. O vereador explicou que há relatos de moradores que estariam pagando taxas duplicadas ou até triplicadas, sem clareza nos critérios utilizados.
“A gente quer entender exatamente como funciona essa cobrança. Se é por drone, por vistoria presencial ou outro método. Há situações de famílias únicas sendo cobradas como se fossem múltiplas unidades, e isso precisa ser esclarecido”, pontuou.
Outro ponto levantado durante a entrevista foi o contrato de concessão do serviço, firmado ainda em 2002, com validade de 25 anos e término previsto para 2027. Para Sestrem, o momento é estratégico para avaliar o histórico do serviço e contribuir para uma futura nova concessão.
“Esse é o último ano antes de um novo contrato. Precisamos entender tudo que aconteceu nesses anos para evitar que possíveis problemas se repitam”, destacou.
A CPI também pretende analisar a qualidade do serviço prestado, incluindo frequência da coleta, horários e impactos no trânsito. Uma das sugestões levantadas é a possibilidade de coleta em horários noturnos para evitar congestionamentos.
Além disso, a comissão deve avaliar soluções para o descarte de resíduos volumosos, como móveis e colchões, problema recorrente apontado pela população. A proposta é a criação de pontos específicos para esse tipo de material, evitando o descarte irregular em vias públicas.
Sobre a relação com a empresa responsável pelo serviço, o vereador afirmou que, neste primeiro momento, houve receptividade. A empresa já teria indicado datas para a visita técnica ao aterro.
A CPI é formada por cinco vereadores e tem prazo inicial de 90 dias para conclusão dos trabalhos, podendo ser prorrogada. Ao final, será apresentado um relatório com as conclusões e possíveis encaminhamentos.
“O principal objetivo é trazer transparência, esclarecer dúvidas da população e garantir que o serviço seja prestado da melhor forma possível”, concluiu Sestrem.



