Venda ilegal de “Durateston” termina com três presos em Gaspar

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou operação que resultou na prisão em flagrante de três homens suspeitos da comercialização ilegal de anabolizantes e da substância conhecida como “tizerpatida”, em Gaspar, que se caracteriza com crime contra saúde pública previsto no artigo 273, § 1º-B, I, do Código Penal.

As investigações tiveram início em abril, após um homem de 58 anos quase morrer depois de consumir um medicamento adquirido em uma farmácia da cidade. Segundo apurado, a vítima procurou o estabelecimento com exames laboratoriais, quando foi orientada por um atendente a utilizar o anabolizante “Durateston Plus Gold”, produto de origem estrangeira e sem registro na Anvisa. A venda e até mesmo a aplicação da substância eram realizadas dentro da própria farmácia. 

Diante dos indícios, a Polícia Civil avançou nas diligências e obteve autorização judicial para cumprir mandados de busca e apreensão no estabelecimento e nas residências dos investigados. Durante a ação, realizada no dia 30 de abril, os agentes encontraram o mesmo anabolizante vendido à vítima, além de diversos frascos de tizerpatida, também sem registro sanitário no Brasil. 

Os produtos estavam armazenados de forma irregular, escondidos em caixas no depósito, sem qualquer controle térmico — condição que pode comprometer ainda mais a segurança dos consumidores. Na residência do proprietário da farmácia, os policiais também localizaram medicamentos de uso controlado, como clonazepam e sibutramina, que estariam sendo mantidos fora do estabelecimento para venda sem prescrição médica. 

De acordo com a investigação, o atendente e o dono da farmácia atuavam de forma conjunta no esquema, tanto na venda quanto na aplicação das substâncias, o que motivou a prisão em flagrante de ambos. 

As apurações avançaram e identificaram o suposto fornecedor dos produtos ilegais. Um novo mandado de busca foi cumprido nesta segunda-feira (4), resultando na prisão do terceiro envolvido. No local, foram apreendidos anabolizantes, caixas de tizerpatida da mesma marca encontrada na farmácia, materiais para aplicação, como seringas e agulhas, além de equipamentos para transporte térmico, perfumes, bebidas importadas e um caderno com a contabilidade das vendas.

Por fim, o delegado Filipe Martins destacou a gravidade do caso, ressaltando que o esquema investigado quase levou uma vítima à morte, citando que, até o momento, três pessoas foram presas, mas as apurações seguem em andamento para desarticular toda a cadeia de fornecimento e identificar outros envolvidos. Segundo a autoridade policial, o crime é considerado de alta gravidade pela lei brasileira e pode resultar em penas que variam de 10 a 15 anos de reclusão.